Num questionário realizado pela Saúde Escudeiro com dezenas de participantes perguntava-se se o inquirido tinha dificuldade em reconhecer as emoções das outras pessoas.

A resposta foi clara – todos responderam Não. Ou seja, que não lhes era difícil aperceberem-se das emoções dos outros. No entanto, havia uma outra questão indiretamente relacionada com esta. A pergunta era se a pessoa sentia que vivia com stress ou ansiedade. A esmagadora maioria dos inquiridos respondeu que Sim. Ora aqui está claramente exposta uma contradição e como os processos inconscientes e conscientes coexistem no ser humano. Se houver conhecimento é mais fácil chegar ao equilíbrio na vida.
Na realidade tudo aquilo de que a pessoa não se apercebe, não é consciente, é como se não existisse. Um exemplo é o sono. Uma das primeiras manifestações, se não a primeira, de sono é a pessoa perder a capacidade de se aperceber que tem sono. Portanto, por mais que digamos a alguém que está com sono, porque qualquer pessoa com um mínimo de atenção deteta o raciocínio mais lento, a irritabilidade, a postura ereta mais difícil de manter, aumento de apetite principalmente por alimentos açucarados e salgados, o próprio não tem essa noção, encontra sempre justificações para esses comportamentos. Com as bebidas alcoólicas passa-se o mesmo. O dispositivo de deteção de nível de alcoolemia já deteta a presença de álcool em excesso e para a pessoa está tudo normal.
Com a leitura das emoções e os estados de ansiedade/stress passa-se o mesmo. Estes estados ocorrem devido a uma ativação de uma ramificação do sistema nervoso autónomo, que é a componente do sistema nervoso que controla as funções automátcas, denominado de sistema simpátco. Uma das características é a diminuição da capacidade de ler corretamente as emoções das outras pessoas, através das expressões faciais e deteção de certas frequências sonoras da voz humana. O que acontece simultaneamente é que a pessoa fica hiper-reativa a certas características e hipo-reactiva a outras, levando a comportamentos seus desadequados por serem mal interpretados.
Todos já tiveram a experiência de para o mesmo comportamento de outra pessoa, por exemplo de irritabilidade, ter-se graus distintos de tolerância para se lidar com isso e até compreensão do fenómeno. Essa tolerância e compreensão provêm do estado fisiológico interno. Elas serão baixas se o organismo estiver recrutado para defesa através da ativação do sistema simpático e serão elevadas e promoverão a relação social, através de uma correta avaliação das emoções, se o sistema nervoso parassimpátIco estiver atIvo. Esta componente do sistema nervoso autónomo é mediada por um ramo do nervo vago, exclusivo dos mamíferos, e é responsável pelo estado interno que conduz à recuperação, regeneração e interação social. Denomina-se de travão vagal à sua ação de controlo, de travão, do sistema simpático.
Sempre que uma pessoa manifesta comportamentos de irritabilidade, de explosões por adversidades mínimas ou intolerância para com situações normais do dia-a-dia é quase seguro que o seu organismo tem um baixo travão vagal. Seja por excesso de ativação simpática, seja por baixa ativação parassimpátIca ou uma mistura de ambos, o ponto central é que o travão vagal necessita ser trabalhado. Há várias estratégias para melhorar o travão vagal, como a respiração abdominal tranquilizante, saltos em trampolim, movimentos rítmicos repetitivos, trautear músicas com lábios fechados, entre muitos outros.