Hoje em dia são raras as pessoas que não têm o seu osteopata ou fisioterapeuta de estimação para aliviar as tensões físicas do dia-a-dia. É curioso que toda gente tem uma recomendação a fazer de algum clínico, dizendo que o seu é que é mesmo bom. Este atributo de ‘mãos mágicas’ e esperança de uma recuperação relâmpago para problemas persistentes, através de manipulações que põe tudo no sítio, são os principais critérios de avaliação da qualidade de um clínico especializado em terapia manual.  

As pessoas procurarem apoio nestes profissionais é um óptimo sinal dos tempos modernos, pois apercebem-se que o ritmo de vida causa muita sobrecarga física e procuram nas terapias manuais alívio para estas tensões. Mas o lado negativo deste pensamento é que neste contexto, com estes critérios de selecção e expectativas, dificilmente sobra espaço para a Educação do utente. Seria tão bom que fosse só deitar na marquesa e sair com todas as tensões eliminadas… para utentes e para o clínico!

O conhecimento sobre como o corpo funciona, especialmente o próprio, e do que o stress faz é o verdadeiro segredo da qualidade de vida e do envelhecimento com qualidade.

O curioso é que a ideia que muitas pessoas têm sobre como o corpo funciona, como se lesiona e como se cura, é a principal razão porque não recuperam. O papel de educador do clínico não é só porque é divertido ensinar, mas sobretudo porque o conhecimento tem o poder de acionar os meios naturais fisiológicos que levam a pessoa a recuperar espontaneamente. Para além do conhecimento, outro factor fundamental é a adesão aos cuidados consigo próprio fora do ambiente clínico. O que a pessoa faz fora da sessão terapêutica é que é o verdadeiro tratamento. Ou agressor! A influência do clínico durante a sessão em termos do tratamento físico é muito pequena, ao contrário do que se pensa. Se virmos bem a semana tem 168 horas e, provavelmente, só uma é passada com o terapeuta. A melhor forma do clínico conseguir exercer a sua influência a longo prazo começando nas seguintes 167 horas, é a educação.

Se se quer ter controlo sobre a vida, em termos de saúde e performance, há que ter algum conhecimento sobre fisiologia humana aplicada ao seu caso pessoal.